• Av. Conselheiro Rosa e Silva, 1460 - Salas 101/102
  • 81 3426.0126 - 8831.0734

Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (DTM/DOF)

Esse é o nome de uma especialidade relativamente recente (2002) regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO). Por definição, dor orofacial é toda dor localizada na cavidade oral e na face, podendo ser referida na região de cabeça e pescoço. O diagnóstico diferencial é de grande importância, uma vez que sua etiopatogenia pode estar associada a cervicalgias, cefaleias, traumas, até doenças neuropáticas, fibromialgia, artrite reumatoide, câncer etc. A maioria das dores orofaciais têm origem odontogênica (dente) e de Disfunção Temporomandibular. Em estudo recente foi encontrado uma prevalência de 37,5% de DTM na população.

DTM, segundo a Academia Americana de Dor Orofacial, é definida como um conjunto de distúrbios que envolvem os músculos mastigatórios, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas associadas. Os sinais e sintomas mais comuns são: dores na face, ATM e/ou músculos mastigatórios, dores na cabeça, no ouvido, limitação de abertura bucal (travamentos) e ruídos articulares (estalos ou crepitação). Manifestações otológicas como zumbido e plenitude auricular também podem estar presentes.

Sua etiologia multifatorial envolve fatores predisponentes, iniciadores e perpetuantes. Os mais relevantes são: macrotrauma, microtrauma (bruxismo), fatores psico-emocionais, como ansiedade e depressão, doenças degenerativas, reumatológicas, infecciosas, endócrinas, neurológicas, neoplásicas, fatores locais, como viscosidade do líquido articular e até fatores genéticos.

O objetivo do tratamento é controlar a dor, reestabelecer função do sistema mastigatório e reeducar o paciente. A Odontologia Baseada em Evidência relata controle dos sinais e sintomas em 90% dos casos com tratamentos conservadores. Recomenda-se então terapias reversíveis, não invasivas, como cognitivo-comportamental (autoconhecimento para mudança de comportamento),fármacos, termoterapia, exercícios, agulhamento a seco, placas interoclusais, etc. Ajuste oclusal, tratamento ortodôntico, reabilitação protética e cirurgias apresentam indicações restritas e bem específicas.

Vale salientar que o tratamento inadequado pode levar à cronificação da dor. Quadro bem mais difícil de controlar. Em virtude disso e dos avanços científicos na área, a escolha de um profissional com formação especializada em DTM/DOF é o mais aconselhado.

O bruxismo ou briquismo, originado do termo grego Brychein, que significa ranger os dentes, é um hábito parafuncional (sem finalidade funcional) que consiste em apertar ou ranger os dentes de forma involuntária diurna ou noturnamente.

Não existe um consenso quanto à etiologia do bruxismo e, apesar da origem multifatorial, os estudos mais recentes mostram um relação direta com fatores psico-emocionais. Pode ser classificado em primário, por ser idiopático, mediado pelo Sistema Nervoso Central, sem causa médica evidente, ou secundário, associado com outros transtornos clínicos: neurológico, como na doença de Parkinson; psiquiátrico, nos casos de depressão; outros transtornos do sono, como a apneia; e uso de drogas inibidoras seletivas da receptação da serotonina - tais como a fluoxetina, sertralina, paroxetina.

Além de desgaste dos dentes e danos às estruturas de suporte, com perda óssea e retrações gengivais, o bruxista apresenta de três a quatro vezes mais chances de desenvolver Dor Orofacial e Disfunção Temporomandibular do tipo muscular e articular, caracterizada por artralgia, presença de sons, como estalido e travamento mandibular. A contração excessiva dos músculos da mastigação também frequentemente está relacionado à cefaléia do tipo tensional.

Apesar das limitações das pesquisas, devido à definição metodológica, a literatura mostra prevalência que varia de 14% a 20% em crianças e média de 15% em adultos. É possível que esses dados estejam subestimados, uma vez que as pessoas que apresentam esse hábito, muitas vezes não têm consciência de sua presença.

O diagnóstico começa na tomada de história, onde ocorre o relato por parte de alguém que escuta o barulho do rangido. Os sintomas mais comuns são os dentes doloridos, sensação de fadiga e/ou dor muscular, dores na região da Articulação Temporomandibular e cefaléia matinal. Os sinais presentes ao exame clínico odontológico são: desgastes dentários (é preciso diferenciar do desgaste fisiológico), mobilidade dos dentes, fraturas dentárias, retração da gengiva e estalido da ATM. Também podem haver alterações de tecido mole como hipertrofia de masseter, edentações na língua e marcas na mucosa jugal (bochecha). Para se obter um “padrão ouro” de diagnóstico podem ser solicitados exames complementares, como o estudo da polisonografia, valendo-se de eletromiografia e registro audiovisual do ranger dos dentes.

O tratamento é interdisciplinar. O primeiro passo é o cognitivo-comportamental, para que o paciente se conscientize de seu bruxismo e tente controlá-lo durante o dia. Em virtude da influência do ritmo de vida acelerado e estresse emocional a que muitos estão submetidos, a prática esportiva é bem vinda no controle da ansiedade, assim como técnicas diversas de relaxamento e higiene do sono. A ajuda de psicólogo ou psiquiatra nos casos de comprometimento psico-emocional importante também é fundamental. Não se pode abdicar entretanto, da terapia odontológica mais utilizada mundialmente: a placa de interoclusal, também conhecida como placa miorelaxante. Apesar de não se saber exatamente o mecanismo, estudos mostram uma importante redução da atividade eletromiográfica quando se faz uso dela. Talvez por uma reprogramação muscular, promovida pela mudança de propriocepção, ou pela simulação de uma oclusão equilibrada, com contatos bilaterais simultâneos e guias funcionais. O fato é que além de promover uma melhora nos sintomas, os pesquisadores são unânimes quanto a sua indicação na prevenção dos desgastes dentários.

É indicada para Disfunção Temporomandibular (DTM) do tipo articular ou muscular, reduzindo a tensão nos músculos da mastigação e pressão na Articulação Temporomandibular (ATM), além de proteger os dentes de desgastes provocados pelo hábito de ranger os dentes (bruxismo). As placas devem ser, preferencialmente, confeccionadas em resina acrílica termopolimerizável, devido à sua resistência aos desgastes e capacidade de ajustes, simulando uma oclusão ideal com contatos mútiplos bilaterais simultâneos e guias funcionais.

Para mantê-la em posição, uma pequena pressão se faz necessária, portanto os dentes podem ficar sensíveis no início. Se a orientação é para que o cliente use o dispositivo só para dormir, maior facilidade para adormecer ocorrerá quando colocado o aparelho meia hora antes de se deitar na cama. Uma fase de adaptação será necessária, podendo-se salivar um pouco mais, bem como perceber uma mudança no contato dental pela manhã, justificado pelo relaxamento muscular provocado pelo uso do aparelho.

Recomenda-se um cuidado especial na limpeza da placa, fazendo uso de escova dentária específica com a pasta dental de costume após o seu uso e também antes de colocá-la na boca. O dispositivo pode ser mantido em recipiente com ventilação ou mergulhado em solução composta por metade de água e metade de algum enxaguatório incolor. Pelo menos uma vez por semana orienta-se mergulhá-la por cinco minutos em água com um comprimido efervescente, chamado Corega Tabs. Deve-se escovar o aparelho após essa imersão.

Caso algo diferente do que foi exposto ocorra ou tenha alguma dúvida, não hesite em entrar em contato.

placa interoclusao imagem 01 placa interoclusao imagem 02